Catapora em bebê: sintomas, tratamento e quando procurar o médico

Comum na infância, a catapora é uma doença causada pelo vírus varicela-zóster — o mesmo que também causa a doença homônima — e, apesar de não ser grave, exige atenção e cuidado. Isso porque além do desconforto, a enfermidade também se espalha rapidamente, podendo se tornar uma epidemia se não for tratada a tempo.
A catapora em bebê requer ainda mais atenção, uma vez que as crianças nessa idade ainda não conseguem se comunicar com muita desenvoltura. Mas não é preciso desespero; com a ajuda do pediatra é possível fazer o tratamento adequado para se livrar desta infecção.
Quer saber mais sobre o assunto? Continue a leitura!
O que é catapora e como ela afeta os bebês?
Para combater a catapora, é preciso primeiro entender o que é a doença. Chamada também de varicela, essa infecção é causada pelo vírus varicela-zóster, que inicialmente infecta a criança e causa a doença típica da infância.
De acordo com o portal do Dr. Drauzio Varella, após essa infecção, o vírus permanece dormente no corpo e pode, muitos anos depois, reativar-se como Herpes‑Zóster (popularmente chamado de “cobreiro”) em pessoas adultas ou imunossuprimidas.
Nesses casos, ao invés de causar manchas por todo o corpo, como na infância, ele percorre um nervo específico e atinge apenas a região da pele correspondente àquele nervo.
De modo geral, o vírus reaparece quando há alguma condição que reduz a eficácia da defesa imunológica, como:
- Envelhecimento natural;
- Estresse intenso;
- Doenças que diminuem a imunidade;
- Uso de medicamentos imunossupressores;
- Doenças crônicas;
- Infecções virais que baixam a defesa do organismo.
Em bebês, o vírus aparece ainda como catapora, e como o sistema de defesa deles ainda está em formação, exige maiores cuidados e atenção aos sintomas.
Como ocorre o contágio e quem tem maior risco?
O contágio da catapora ocorre de formas variadas, sendo que a forma mais comum é pelas gotículas de saliva ou secreções respiratórias da pessoa infectada ou ainda pelo contato direto com o líquido das bolhas ou vesículas das lesões.
O período de incubação — ou seja, do contato até o início dos sintomas — costuma demorar em torno de 10 a 15 dias, e uma das formas mais eficazes de se proteger contra a doença é tomando a vacina tríplice viral (que engloba também sarampo, caxumba e rubéola) ou à forma tetraviral, que inclui também a varicela.
No Brasil, a vacinação contra a varicela faz parte do calendário vacinal infantil e, geralmente, é aplicada a partir dos 12 meses, com a segunda dose em idade posterior conforme orientação local.
É importante lembrar que os bebês que ainda não receberam a vacina contra catapora têm mais chances de contrair a doença e desenvolver a forma mais severa da infecção.
Sintomas da catapora em bebê
A doença pode se apresentar de diferentes formas, sendo as mais comuns manchas, bolhas e crostas. A sequência típica da infecção é:
- primeiro aparecem manchas vermelhas na pele — pequenas erupções avermelhadas que surgem no tronco, rosto e em seguida podem se espalhar para membros;
- dentro de 24 a 48 horas, essas manchas evoluem para bolhas ou vesículas cheias de líquido, que provocam bastante coceira;
- por fim, as bolhas secam, formam crostas e depois deixam-se cicatrizes mínimas ou desaparecem sem deixar marca visível. Essa fase de crostas indica, em geral, menor risco de transmissão.
Outros sintomas comuns são febre (que podem chegar até 39,5 °C) irritação, perda de apetite e cansaço. Em alguns casos, as lesões aparecem também em mucosas (boca, couro cabeludo) ou regiões pouco visíveis, o que exige atenção redobrada.
Duração média da doença
O tempo de duração da catapora irá depender da fase de incubação. Na maioria das crianças saudáveis, no entanto, o quadro completo — desde o início das manchas até a formação das crostas — dura cerca de 7 a 10 dias.
Apesar de ser uma doença simples, é importante não negligenciar os sinais e observar a evolução do quadro. A qualquer sinal de piora, os pais e responsáveis devem levar a criança ao médico.
Quando a catapora em bebê é perigosa?
Por falar em riscos, embora a catapora seja comum, há situações que exigem atenção especial. Veja:
Casos que exigem atenção médica imediata
- Febre muito alta ou persistente (acima de 39 °C ou que não cede com antitérmico);
- Lesões que parecem infectadas: presença de pus, aumento de vermelhidão ou dor acentuada;
- Dificuldade para respirar, chiado, sonolência excessiva, vômitos persistentes ou sinais de desidratação;
- Erupção muito extensa, sobretudo em bebês prematuros ou com doenças de base.
Riscos de infecção secundária e complicações
Também é preciso ficar atento a algumas complicações que podem surgir com a catapora. Uma das mais comuns é a infecção secundária das lesões, ou seja, as bolhas ou crostas podem ser contaminadas por bactérias, o que torna o quadro mais grave.
Tratamento da catapora em bebê
Ninguém gosta de ver um bebê doente, não é mesmo? Mas se isso acontecer, é possível curar a infecção com o tratamento adequado. Veja algumas dicas:
Cuidados com a pele e prevenção de coceira
- Banhos diários com água morna, uso de sabonetes neutros e roupas leves ajudam a reduzir o atrito com as bolhas e aliviam o calor excessivo;
- Manter as unhas aparadas ou, em crianças pequenas, cobrir as mãos com luvas finas durante a noite pode reduzir a lesão por coçar.
Hidratação, conforto e alívio da febre
- É importante reforçar a hidratação do bebê, por isso a dica é oferecer líquido de hora em hora;
- Também é fundamental manter o ambiente fresco e confortável, usando umidificadores e climatizadores.
Cuidados durante o isolamento
Durante a infecção da catapora o bebê precisa ficar isolado do restante das crianças e dos adultos — convivendo apenas com aqueles que são seus pais ou responsáveis. Esse tempo é chamado de isolamento e deve ser mantido até que todas as lesões estejam em fase de crosta seca.
Estudos indicam que o período de transmissibilidade inicia cerca de 1 a 2 dias antes do aparecimento das lesões e se estende até que todas estejam crostadas.
Como prevenir o contágio da catapora?
Por fim, para evitar que o contágio aconteça é preciso respeitar alguns cuidados fundamentais. Veja os mais importantes:
- Evitar o contato direto com pessoas doentes ou que apresentem lesões de varicela
- Incentivar a lavagem das mãos e a boa higiene em ambientes de convivência
- Garantir que as crianças estejam com o esquema vacinal em dia, reforçando a imunidade
- Nas creches, berçários e escolas, manter boa ventilação, limpeza frequente de superfícies e alerta para sinais de surtos
- Em casa, observar se existe gestante, pessoa imunossuprimida ou bebê menor de 1 ano e adotar cuidados adicionais nesses casos
O cuidado é o melhor remédio!
Como você viu, a catapora em bebê é uma condição frequente, mas que requer atenção e cuidado tanto para a prevenção quanto para o tratamento.
A vacinação continua sendo a melhor estratégia para evitar que os pequenos se contaminem e/ou para garantir que a doença venha na fase mais branda.
Além do cuidado em casa, berçários e creches também devem ter atenção à doença. Estes precisam promover um ambiente saudável e sinalizar caso alguma criança se contamine.
O cuidado, carinho, atenção e acompanhamento médico são a melhor forma de combater a catapora.



