Quando se fala em aprendizado infantil, é comum encontrar diversas teorias sobre como as crianças constroem saberes. Uma das mais influentes é a teoria da aprendizagem de Henri Wallon, criada entre as décadas de 1920 e 1940 pelo psicólogo, médico e filósofo francês.
Essa abordagem se destaca por enxergar o ser humano como um todo integrado, em que emoção, movimento e socialização são dimensões indissociáveis do desenvolvimento.
Wallon formulou sua teoria em um período em que a psicologia buscava compreender o ser humano de maneira mais ampla — não apenas como um ser racional, mas também social e afetivo.
Para ele, entender o desenvolvimento infantil exige observar a criança em sua totalidade, considerando o corpo, as emoções, o ambiente e as relações sociais como partes interligadas de um mesmo processo.
Quer entender melhor como essa visão pode transformar a educação infantil? Continue a leitura!
Para entender melhor sobre a teoria e psicologia de Henri Wallon, é preciso compreender quem foi esse estudioso. Nascido em 1879, o francês atuou em um período de profundas transformações sociais e científicas, e se interessou desde cedo pela forma como as crianças expressam suas emoções e intenções antes mesmo de aprenderem a falar.
Ele também foi influenciado por pensadores como Marx, Hegel e Freud, e a partir de seus estudos formulou uma concepção dialética do desenvolvimento, na qual definiu que a criança não evolui de forma linear, mas por meio de crises, conflitos e superações. Essa visão tornou-se central para sua teoria que valoriza tanto o aspecto biológico quanto o social e o afetivo.
Já na educação infantil, o pensador defendeu que o ensino deve considerar o desenvolvimento global da criança, respeitando seu ritmo e favorecendo o equilíbrio entre emoção, movimento e pensamento. Dessa forma, o professor se torna mediador das experiências afetivas e cognitivas, estimulando a curiosidade, a empatia e a autonomia.
Para compreender a teoria, também é preciso saber que Wallon descreveu o desenvolvimento infantil em estágios que se sucedem e se interligam, alternando a predominância entre o emocional, o motor e o cognitivo.
Entender como cada um deles funciona ajuda a compreender como a criança constrói sua identidade e seu modo de se relacionar com o mundo. Veja:
Nesta fase, o bebê se comunica prioritariamente por meio das emoções, que são demonstradas por meio do choro, sorriso e gestos.
É importante ressaltar que a afetividade é o eixo central do desenvolvimento, pois é através dela que o bebê cria vínculos e começa a compreender o ambiente.
Nesse estágio, o movimento físico ganha destaque. Isso quer dizer que a criança explora o espaço, manipula objetos e descobre as consequências de suas ações. É nesse momento que o movimento e desenvolvimento infantil caminham juntos.
Quando já estão maiores, já sabem falar e até mesmo a ler (em alguns casos), a criança começa a busca por autonomia. Nessa fase, ela enfrenta conflitos com os adultos e começa a desenvolver uma identidade própria.
É uma fase de forte carga emocional e social, marcada pela necessidade de reconhecimento e pelo início da vida em grupo.
Aqui o pensamento lógico e a linguagem ganham destaque. A criança começa a organizar o mundo em categorias, compreender regras — e por vezes questioná-las — e se interessar por aprender conteúdos de forma sistemática.
Nessa fase, a socialização nas escolas e creches ganha ainda mais relevância uma vez que estimula, entre outras coisas, a cooperação e o raciocínio lógico.
O início da adolescência é caracterizado por novas crises afetivas e cognitivas. O adolescente passa a refletir sobre si e o mundo, buscando construir uma identidade mais estável e próxima do que ele realmente será quando adulto.
Além disso, é uma fase de integração entre razão e emoção, essencial para o desenvolvimento da personalidade.
Além de entender os 5 estágios, é preciso compreender como a emoção, o movimento e a socialização — que são os pilares da teoria walloniana — e atuam de forma interdependente no processo de aprendizagem. Entenda melhor abaixo:
Para Wallon, a emoção é o primeiro canal de comunicação da criança com o mundo. É ela que orienta o comportamento, motiva a curiosidade e, claro, estabelece vínculos afetivos que tornam a aprendizagem significativa.
É por isso que um ambiente escolar e doméstico afetivos favorecem a confiança e o engajamento do aluno.
O movimento é a base da exploração e da descoberta. Correr, tocar, empilhar, desenhar, colorir e outras ações similares permitem que a criança compreenda o espaço e desenvolva coordenação motora (tanto fina quanto grossa), percepção e linguagem.
Também ajuda na motricidade que não é apenas física: é cognitiva, pois traduz o pensamento em ação.
Na parte da socialização, o contato com outras crianças e adultos possibilita a troca, a empatia e o aprendizado coletivo.
A interação social é, para Wallon, o motor que transforma a experiência individual em conhecimento compartilhado, por isso a creche tem papel tão importante, pois é nessa convivência que a criança aprende regras, cooperação e respeito às diferenças.
Depois de entender tudo sobre a metodologia criada pelo psicólogo francês, chegou a hora de entender como colocá-la em prática.Para isso, o educador precisa observar o aluno em sua totalidade, considerando todas as dimensões do movimento e desenvolvimento infantil.
Estratégias práticas para educadores:
Exemplos de atividades baseadas na teoria de Wallon:
A teoria da aprendizagem de Henri Wallon oferece uma visão profundamente humanizada do processo educativo, ao reconhecer que emoção, movimento e socialização são inseparáveis.
Aplicar esses princípios em sala de aula é promover uma educação viva, que considera cada criança como única, com suas vontades, ritmos e características próprias.
Ao observar o aluno em sua totalidade — e não apenas pelo desempenho cognitivo — o professor cria um ambiente mais acolhedor, dinâmico e significativo.
Assim, a escola deixa de ser um espaço de transmissão e passa a ser um espaço de vida, expressão e construção coletiva do conhecimento.
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