Nos primeiros anos de vida, a criança passa por diversas etapas de desenvolvimento, e a maneira como ela interage com o mundo ao seu redor impacta suas habilidades físicas, cognitivas e emocionais.
Pensando nisso, surgiram várias abordagens educacionais que indicam caminhos para a educação e a criação dos pequenos em creches e escolas. Uma delas é a abordagem Pikler, que se destaca como uma metodologia que valoriza a autonomia do indivíduo e promove um ambiente respeitoso e livre para seu desenvolvimento.
Quer saber mais sobre o assunto? Continue a leitura e entenda tudo sobre essa metodologia e seus principais diferenciais.
Antes de começar a detalhar a metodologia, é importante entender do que ela se trata. A abordagem Emmi Pikler foi criada pela pediatra húngara homônima na primeira metade do século XX.
Ela começou a desenvolver sua metodologia na década de 1940, quando fundou uma instituição chamada Lóczy, uma casa de crianças em Budapeste. Seu objetivo era criar um ambiente seguro e estimulante para crianças pequenas, especialmente aquelas que, por diversas razões, não podiam ser cuidadas por suas famílias biológicas, como as que estavam em situações de adoção ou orfandade.
A partir disso, com base em suas observações e estudos, Pikler desenvolveu uma abordagem que colocava a autonomia, a liberdade de movimento e a relação respeitosa com o cuidador como os pilares do desenvolvimento infantil.
No seu ponto de vista, as crianças deveriam ter liberdade para explorar e se desenvolver de maneira espontânea, sem pressões externas para atingir marcos de desenvolvimento em horários fixos ou por intervenções constantes de adultos.
Com o passar dos anos, a filosofia de Pikler foi ganhando notoriedade e sendo mais difundida e adotada em escolas e creches.
Para entender melhor essa abordagem, é preciso saber como ela se diferencia das demais. Ao contrário de metodologias que buscam estimular o desenvolvimento motor por meio de estímulos externos ou imposição de cronogramas de aprendizagem, a Pikler promove a liberdade de ação.
O método acredita que a criança é capaz de se desenvolver de forma mais completa e saudável quando não é pressionada a seguir padrões ou expectativas artificiais, como engatinhar ou andar em determinada idade.
Além disso, também valoriza o vínculo afetivo com o cuidador (seja os pais, responsáveis, professores, etc.), promovendo interações respeitosas, sem pressa ou intervenções excessivas.
Essa metodologia se assemelha com a de Reggio Emilia, que garante que a criança é um ser ativo, criativo e capaz de aprender por conta própria.
A abordagem Montessori, criada pela pedagoga italiana Maria Montessori, também valoriza a autonomia e a liberdade da criança, mas com um enfoque diferente do método Pikler, pois utiliza materiais estruturados e atividades específicas para ajudar as crianças a desenvolverem habilidades cognitivas, sensoriais e motoras.
Já os métodos mais tradicionais de aprendizagem se distanciam da abordagem Pikler porque focam em um aprendizado dirigido pelo adulto, no qual os educadores ou cuidadores planejam e controlam as atividades de forma estruturada, com metas de desenvolvimento específicas que as crianças devem atingir em um prazo determinado.
Como você viu, a pediatra e pedagoga Emmi Pikler dedicou sua vida ao estudo do desenvolvimento infantil e à criação de um modelo pedagógico inovador. Além de fundar a “Casa das Crianças”, elaborou uma série de práticas que priorizam a autonomia e a liberdade de movimento dos pequenos.
Além disso, Pikler destacou a importância de uma relação afetiva segura e estável com os cuidadores, considerando-a essencial para o desenvolvimento emocional das crianças. Ela acreditava que o vínculo afetivo profundo e contínuo com uma figura de cuidado era crucial para a construção de uma autoestima positiva e para o desenvolvimento de habilidades sociais.
A pedagoga também inovou ao promover o conceito de “cuidado respeitoso”, no qual as atividades cotidianas, como a troca de fraldas ou a alimentação, eram realizadas de forma tranquila e atenta, sem pressa ou pressões externas. Ela acreditava que essas atividades diárias eram oportunidades para fortalecer a confiança da criança em si mesma e no ambiente ao seu redor.
Agora que você já conhece mais sobre essa metodologia, chegou o momento de entender quais são seus princípios fundamentais. Veja:
A liberdade de se movimentar é um dos pilares centrais dessa abordagem. Em vez de impor atividades rígidas para o desenvolvimento motor, esse método defende que as crianças devem ser livres para se mover, explorar e interagir com o ambiente de forma espontânea.
Isso significa que as crianças devem ser incentivadas a rolar, engatinhar, andar e explorar sem restrições, já que o movimento é visto como essencial para o desenvolvimento físico e cognitivo.
O vínculo afetivo entre o cuidador — seja ele o pai, a mãe, o professor ou qualquer outro responsável — e a criança é crucial para o desenvolvimento emocional da criança. A Abordagem Pikler sugere que os cuidadores devem ser atentos e respeitosos com as necessidades da criança, permitindo que ela se sinta segura e confiável para explorar o mundo ao seu redor.
Isso quer dizer que o cuidado deve ser sensível, sem pressa, proporcionando à criança uma base sólida para se sentir segura e confortável. Além disso, a metodologia ressalta que para lidar com birras e contrariedades das crianças, é preciso ter paciência e saber escutar os pequenos com atenção para entender o que está realmente acontecendo.
O ato de brincar livre é outra etapa importante dessa abordagem. Para Pinkler, as crianças devem ter a liberdade de brincar sem a intervenção excessiva de adultos ou brinquedos estruturados — como carros, bonecas, jogos de tabuleiros ou quaisquer outros que exijam ou “imponham”regras.
Na realidade, o ato deve ser natural e permitir que a criança exerça sua criatividade, e autonomia, brincando da maneira que achar mais agradável.
Como você viu, a abordagem Pikler acredita que a criança deve ser respeitada em seu ritmo de desenvolvimento. Isso significa que cada pessoa terá seu próprio tempo para alcançar marcos importantes, como engatinhar, falar ou andar,
Apesar disso, é importante fazer o acompanhamento periódico da criança com o pediatra, neurologista e/ou profissional especializado para saber se está tudo certo com o seu crescimento.
O ato de brincar é levado a sério nessa metodologia, mas não deve ser uma atividade engessada ou cheia de regras e, sim, um momento lúdico de diversão. Pensando nisso, listamos 3 tipos de atividades para fazer com as crianças em casa.
Tem como objetivo principal estimular o movimento e a exploração do corpo de maneira autônoma, ao prover um lugar seguro para a criança se expressar.
Para isso, crie um espaço seguro e adaptado ao tamanho e habilidades da criança, com diferentes tipos de obstáculos, como almofadas, colchões baixos, bancos estáveis, rampas pequenas ou túnel de tecido.
Os pequenos podem engatinhar, subir, descer e explorar o ambiente ao seu ritmo. A chave aqui é que a criança faça tudo sozinha, sem intervenções excessivas, mas com a supervisão para garantir a segurança.
Estimula a criatividade e a coordenação motora através da imitação. Para isso, ofereça à criança brinquedos simples, como bonecos, blocos de madeira, pratos e utensílios usados no dia a dia.
O objetivo é que os pequenos brinquem de imitar ações cotidianas, como dar comida para o boneco ou montar uma torre com blocos. Não é necessário direcionar a brincadeira, apenas fornecer os materiais e permitir que a criança decida como e com o que deseja brincar.
Essa brincadeira visa estimular a expressão criativa e o desenvolvimento motor, também valoriza o movimento e a exploração sensorial de forma autônoma.
Para começar, disponibilize um papel grande (como cartolina, por exemplo) no chão e tintas não tóxicas — geralmente aquarelas. A criança pode usar as mãos e os pés para explorar as cores, criando formas, traços e padrões.
Essa atividade pode ser feita de forma livre, sem instruções, para que a criança tenha autonomia para decidir como se expressar. É importante deixar a criança livre para fazer suas escolhas e explorar os materiais sem pressões.
A aplicação dessa metodologia pode acontecer tanto dentro de casa como também em creches e escolas. Isso porque esses espaços se complementam na educação da criança e quanto mais alinhados estiverem, maiores serão as chances de sucesso. Veja, então, os principais benefícios:
A Abordagem Pikler oferece um caminho maravilhoso para o desenvolvimento infantil, respeitando o ritmo e as necessidades de cada criança. Ao adotar essa metodologia, pais, educadores e cuidadores podem garantir que os pequenos cresçam em um ambiente seguro, estimulante e afetivo, favorecendo seu desenvolvimento motor, cognitivo e emocional.
Que tal começar a implementar alguns desses princípios em sua rotina diária? Avalie o espaço ao redor da sua criança e observe como você pode permitir mais liberdade, movimento e o ato de brincar livre.
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